11 de Agosto, 2016

Memória de Santa Clara, virgem

“Quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim?” (Mt 18,21-19,1).

Diante de uma atitude imprudente, de uma imensa falta de justiça, há limites para o perdão? Hoje são muitas as vezes que nos deparamos com situações de morte e violência, sobretudo na mídia, onde as pessoas mais atingidas respondem em forma de coro: “queremos que se faça justiça!”. Mas o que entendemos por justiça? Muitas vezes tal pedido de justiça está mais associado a sentimentos de ódio ou vingança. Confrontando esta triste realidade que impera no coração do ser humano, o evangelho de hoje nos apresenta uma indagação bastante inquietante: “quantas vezes devo perdoar?”. É Pedro o autor da pergunta dirigida a Jesus. Vejamos que, ao perguntar, ele mesmo sugere uma resposta: “sete vezes?”. E diz Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. O número 7 na bíblia tem um significado bastante especial, pois é sinal de plenitude. No costume judaico, quando uma pessoa havia cometido alguma falta para com o seu semelhante, deveria reconhecer o seu erro e pedir desculpas à pessoa ofendida. Esta, por sua vez, teria a obrigação de aceitar o pedido de desculpas. Mas tal atitude só poderia ocorrer até, no máximo, 3 vezes. Era inconcebível querer reparar o mesmo erro diversas vezes. Contudo, nem sempre foi assim. A bíblia nos narra outros episódios onde o rancor e a amargura falavam mais forte. No Antigo Testamento, sentimentos de perda e morte necessitavam ser reparados muitas vezes por meio de vingança. Havia também a famosa “lei do talião”: “olho por olho e dente por dente...”. AINDA QUE ESTEJAMOS AGINDO COMO UM POVO REBELDE DA ANTIGA ALIANÇA, QUE SOFREU AMARGAMENTE AS CONSEQUÊNCIAS DE SEUS ERROS, VIVENDO EXILADO, LONGE DE SUAS RAÍZES, DEUS SABERÁ NOS ACOLHER E NOS MOSTRAR, NO TEMPO CERTO, O QUE DEVEMOS FAZER PARA ALCANÇARMOS, NO PERDÃO, A SAÍDA DE NOSSAS VIDAS (1ª leitura – Ez 12,1-12). É isto que Jesus nos ajudou a enxergar. É NA TOTALIDADE DE NOSSAS VIDAS QUE O PERDÃO SE FAZ NECESSÁRIO. Que o Senhor “bondoso, compassivo e carinhoso” nos ilumine e nos apresente as atitudes mais acertadas para bem vivermos as nossas relações.

Abraços do Padre Aureliano.




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