Capela do Socorro

Por: Renato Casimiro

A CAPELA DO PERPÉTUO SOCORRO

A fundação da pequena Capela do Tabuleiro Grande, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, propriedade da família Bezerra de Menezes, sob a curadoria do Pe. Pedro Ribeiro da Silva, é o marco inicial da futura vila de Joazeiro. O lugarejo experimentou substancial desenvolvimento com a fixação do sexto capelão, Pe. Cícero Romão Baptista, a partir de 11.04.1872. Um pequeno mapa elaborado para representar o povoado, em 1875, elencava capela, algumas ruas e casas, espaço para praças e um cemitério. Nesse cemitério foram sepultados membros dessa família, a começar do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, nascido em 05.11.1740 e falecido em 1837. Esse cemitério foi utilizado para sepultar diversos membros de famílias tradicionais do povoado, até o início do século XX. Ele ficava por trás da Capela, na atual Av. Dr. Floro, e nele havia outra pequena capela sob a invocação de N. S. do Rosário.  Por volta de 1905, o Pe. Cícero já havia decidido pela construção de um novo cemitério e a sua capela para o povoado. Em 05.10.1906 ele escreve a José Marrocos comunicando que está iniciando a construção da Capela do Socorro. Contou com o empenho de Hermínia Gouveia, senhora jardinense que se radicou em Joaseiro. Segundo Amália Xavier, à sua iniciativa se deve a Capela do Perpétuo Socorro para cumprir o voto que fez pela saúde do Pe. Cícero. Essa construção foi interrompida por determinação episcopal. Em 12.05.1907, Pe. Cícero remete ofício a D. Joaquim José Vieira, então bispo do Ceará, pedindo permissão para continuar o trabalho do cemitério e capela do Socorro, já iniciados e depois suspensos. Ele alega que aquele cemitério já em funcionamento precário necessitava de proteção e de sua capela, pois a área estava “exposta à profanação, cães e porcos, cavando-lhes as sepulturas” e era necessário “licença para cercá-lo de muralha de tijolo e construir a respectiva capela”. A licença não foi concedida, mas a insistência do Pe. Cícero e de Hermínia obteve o patrocínio de Floro Bartholomeu da Costa, além da mediação de José Xavier de Oliveira, junto ao vigário Mons. Quintino, em Crato. E as obras continuaram. Mas, em 15.11.1908 faleceu Hermínia, e ela foi sepultada na Capela antes de terminar a construção. O vigário Quintino tentou impedir o sepultamento, mas o emissário chegou após o fechamento da sepultura. Por este motivo a autoridade eclesiástica não consentiu que a capela fosse benta. Mas, mesmo assim, a Capela e o cemitério foram concluídos. O cemitério, então, e a duras penas, ficou autorizado para sepultamentos, entre 1908 até 1932 quando foi definitivamente reconhecido pela autoridade eclesiástica. Nesse período muitos foram sepultados ali. Destacamos, além de dona Hermínia, a beata Maria de Araújo (em 17.01.1914), a mãe do Pe. Cícero, Joaquina Vicência Romana (em 05.08.1914), a irmã do Pe. Cícero Angélica Vicência Romana (em 06.10.1923), para citar os sepultamentos acontecidos no interior da capela. Em 22.10.1930 aconteceu um fato da maior gravidade. O vigário de Juazeiro, Mons. José Alves de Lima, aparentemente de moto próprio, mandou destruir o túmulo de Maria de Araújo, ereto na parede lateral, junto à porta, à direita de quem entra. O argumento é que isso era necessário para preparar a benção da Capela. Um protesto foi lavrado por iniciativa do Pe. Cícero e com a anuência de várias pessoas. Os restos mortais da beata foram profanados e até hoje não se sabem onde foram depositados. Somente em 17.05.1932, o 2° Bispo da Diocese do Crato, D. Francisco de Assis Pires, em visita Pastoral na Freguesia de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, benzeu a Capela do Perpétuo Socorro. Nesse mesmo dia também benzeu o altar de Santa Terezinha (o 1° altar da Matriz) e fundou a Pia União das Filhas de Maria. O velho cemitério e a capelinha de Nossa Senhora do Rosário foram demolidos em 22.01.1939 por ordem da saúde pública, a pedido da autoridade Diocesana. Mas, nenhum dos restos mortais ali sepultados foi identificado e removido dignamente. No local foi construída a Capela de Nossa Senhora de Fátima, benta em 13.05.1953. Mas em 1946 o cemitério já era pequeno para acomodar tantos sepultamentos. O prefeito Vicente Bezerra Lima deliberou ampliá-lo. Para nós, a Capela do Socorro e seu cemitério tem uma grande significação porque ali, a partir de 21.07.1934, esse espaço sagrado tornou-se o mais importante recanto de nossa memória, como a última morada dos restos mortais do Patriarca dessa imensa nação romeira. É com essa reverência e aos nossos santos que repousam na eternidade que cada um de nós adentra àquela Capela e ela é parte da nossa itinerância terrena e da nossa religiosidade. 

 



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