A luz que mais ‘alumeia’: Romaria das Candeias é encerrada com tradicional procissão das velas

02/02/2018 Por: Patrícia Mirelly
2.006 visualizações

Luz de amor e de esperança. Essa é a simbologia presente em cada vela cuidadosamente carregada pelos milhares de romeiros que se fizeram presentes a Juazeiro do Norte, neste dia 2 de fevereiro, na tradicional “procissão das velas”.

Durante o trajeto, que percorre algumas ruas da cidade, os fiéis devotos pagaram promessas, rezaram e prestaram homenagens a Nossa Senhora.

Seguindo a imagem peregrina, no Largo da Capela do Socorro, após Santa Missa presidida pelo bispo diocesano Dom Gilberto Pastana, concelebrada por padres da diocese de Crato e de outras dioceses romeiras, a tradicional procissão, todos os anos, faz do largo da Basílica Santuário, ápice do percurso, um “mar de luz”.

A procissão, que encerra as celebrações litúrgicas da Romaria das Candeias, começou com a bênção das velas, ao fim da tarde, e de lá seguiu pelas ruas do centro. Quando já era noite, chegou à Matriz.

Com chapéu de palha sustentado por um elástico branco, a aposentada Zeilda Maria dos Santos, alagoana de Palmeiras dos Índios, percorreu 580 km para chegar à “Terra do Padre Cícero e da Mãe das Dores”. Absorvida, olhando tudo em volta, disse ter vindo apenas para “agradecer por estar aqui, participando de uma coisa tão bonita”.

Presente pela primeira vez à romaria enquanto frade carmelita, Frei Davi Maria, residente em Camocim de São Félix (PE), demonstrou igual admiração: “A fé do povo, a luz, faz lembrar que Jesus não nos deixa na escuridão em momento nenhum da nossa vida”.

Para Marília Farias, da Comunidade Shalom, “ser de Juazeiro nos remete a isto: viver sob a luz. E a festa de Candeias lembra que Jesus é a luz da qual necessitamos”.

Tradição

Tal como nas Sagradas Escrituras, Simeão acolhe e recolhe Jesus como “luz das nações”, explicou o bispo diocesano, Dom Gilberto Pastana. E a luz é o sinal da Vida. Onde há luz, há vida. Então, por isto, se usam as velas: para recordar essa manifestação, quando Simeão reconhece Cristo como luz das nações.

Na Igreja, essa tradição atravessa séculos. Em Juazeiro, é sentida por meio da fé do povo que invoca Nossa Senhora sob o título de “Candeias”, pedindo a ela que lhes valham “nos caminhos tão longos, cheios de pedra e areia”. Confiantes em sua docilidade de Mãe, pedem-na que recolha cada prece e ação de graças e as apresente ao Senhor. E ela o faz. Com amor e alegria.

Festa e romaria

A Romaria de Nossa Senhora das Candeias encerra um ciclo e inicia outro. O tema da festa “Família Romeira da Mãe das Dores e do Padre Cícero a caminho do Reino” reforçou o Ano Nacional do Laicato e a Campanha da Fraternidade, que traz a superação da violência para o campo de reflexões da Igreja no Brasil.

Além da festa religiosa, com novena preparatória e Santa Missa, a programação também contou com shows e quermesses.

 

A Festa de Nossa Senhora das Candeias e a procissão das velas se repete em outras paróquias da Diocese de Crato. A origem da devoção, também chamada da Luz, Candelária ou da Purificação tem o seu começo na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Maria, quarenta dias após o Natal.



Galeria de Fotos: