Categoria: Artigos
01/03/2026 Por: Pe. Cícero José da Silva
Hoje, ao chegar ainda de madrugada à nossa Basílica, as portas estavam abertas e o presbitério silencioso. O presbitério é este espaço onde o padre celebra. E seu Sebastião, muito conhecido em nossa Paróquia, reconhecendo aqui o lugar do Mistério, se aproxima do altar, faz a sua reverência e se ajoelha em atitude de profunda oração. Ao vê-lo ali, recolhido, o coração do padre se comoveu. O que aprendemos com esse gesto?
Seu Sebastião é, para nós, como o velho Simeão, que no templo reconheceu o Salvador. A atitude dele também nos faz recordar o Evangelho da oferta da viúva, narrado por São Marcos (cf. 12,41-44) e por São Lucas (cf. 21,1-4). Jesus observa as pessoas que depositam suas ofertas no templo. Muitos davam grandes quantias, mas foi a pequena oferta da viúva que tocou o coração do Senhor. Ela deu tudo o que tinha para viver. Aos olhos humanos, quase nada; aos olhos de Deus, tudo. Assim também é a oração simples de um coração simples. Talvez não tenha palavras bonitas, talvez não tenha grandes discursos, mas quando nasce da confiança e do coração, vale mais do que qualquer gesto.
Recordamos também aquela bela história de José, o homem simples e analfabeto que todos os dias entrava na igreja e dizia apenas: “Oi, Jesus! Eu sou o José. Vim visitar o Senhor”. Era uma visita breve, sem orações longas, mas cheia de amizade. E quando ficou doente, descobriu que Jesus o visitava também. “Oi José, eu sou Jesus. Vim visitar você.” Essa história nos ensina que a oração verdadeira é feita de presença. Quem ama a Deus e guarda seus mandamentos nunca está sozinho, especialmente na hora da dor. Deus mesmo se faz visita, consolo e paz.
É isso que vemos quando um homem simples dobra os joelhos diante do altar, antes de começar a sua lida diária. Ele talvez não tenha estudado teologia, mas compreendeu o principal: rezar é estar com Deus. É colocar-se sob o olhar d’Aquele que nos ama. É confiar que Maria apresenta nossas súplicas ao seu Filho. É reconhecer que a força para enfrentar o dia não vem apenas do esforço humano, mas da graça recebida na intimidade com o Senhor.
Meus irmãos e minhas irmãs, aprendamos com esses exemplos de oração silenciosa. Sejamos uma Igreja de portas abertas, onde o simples, o idoso, o cansado e o aflito encontrem espaço para se ajoelhar e recomeçar. Tenhamos a coragem da viúva, que ofereceu tudo; a confiança de José, que visitava Jesus como a um amigo; e a perseverança de Seu Sebastião, nosso “Simeão”, que nos recorda que a missão começa diante do altar. Maria, Mãe das Dores e também da Esperança, nos conduza a essa sintonia com Deus. Como comunidade, reconheçamos: a oração simples de um coração simples sustenta os nossos lares, as nossas famílias, as nossas comunidades e o mundo inteiro.
Amém.
Padre Cícero José da Silva
Pároco e reitor
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