Como viver bem a Semana Santa?

Como viver bem a Semana Santa?

Categoria: Artigos

14/04/2025 Por: Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores


“Ele nos amou até o fim” (Jo 13,1).

Estamos iniciando a Semana Santa, a semana que é a mais importante do ano para todos nós, católicos. É nela que recordamos, com fé e piedade, os últimos passos de Jesus neste mundo — a sua Paixão, Morte e Ressurreição. O Evangelho de São João nos diz: "Ele nos amou até o fim". E é esse Amor, sem medidas, que celebramos e queremos viver nestes dias santos.

 

Mas antes de refletirmos como viver bem a Semana Santa, tema dessa nossa conversa, gostaria de recordar com vocês o significado dela. É importante termos em mente que não se trata de um teatro ou de uma tradição vazia. A Semana Santa, para nós, cristãos e cristãs, é vida, é amor, é salvação.

 

Pois bem. A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, quando celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém, onde Ele vai viver a sua Paixão e Morte. É o início do caminho da cruz. Aqui, há um ponto muito importante: a multidão que grita "Hosana", ao receber Jesus, é a mesma que, poucos dias depois, grita "Crucifica-o". E assim também acontece conosco, quando esquecemos o que Ele fez por nós e deixamos de viver como verdadeiros cristãos.

 

Depois vem o Tríduo Pascal, que começa na Quinta-feira Santa, com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, a qual nós conhecemos tradicionalmente como Missa do Lava-pés. E por que ela tem esse nome, padre? Porque foi, justamente, "na noite em que ia ser entregue", ou seja, na última refeição feita com os discípulos, que Jesus se ajoelha para lavar os pés deles e, assim, ensiná-los o valor do serviço, da humildade e do amor concreto.

 

Na Sexta-feira Santa, recordamos a morte de Cristo na cruz. E aqui é importante dizer que Jesus morreu por amor, por nosso amor. Ele não foi obrigado. Foi uma escolha, uma entrega. Por isso, neste dia, fazemos a Adoração da Santa

Cruz ou Beijo da Cruz, como nós também conhecemos. E nós adoramos a cruz, não como sinal de derrota, mas como sinal de vitória, pois como nos ensina o Papa Francisco, “Jesus transformou a maior injustiça em amor maior”.

 

No Sábado Santo, vivemos o silêncio e fazemos a Vigília Pascal. A Igreja espera. Mas não é um silêncio vazio, é um silêncio cheio de esperança. É o momento em que nos preparamos para dizer: “Jesus ressuscitou, a morte não tem mais a última palavra”.

 

E então chegamos ao Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor. Depois de caminharmos com Jesus pela Semana Santa — com todos os momentos fortes que já mencionamos — agora celebramos a vitória da vida sobre a morte, cantando "Aleluia", porque Cristo está vivo e caminha conosco.

 

Mas, meus irmãos e minhas irmãs, para que essa semana seja realmente santa, precisamos vivê-la com o coração. E eu deixo aqui três convites simples para cada um de nós:

 

Primeiro, diminuir o barulho. Nossa vida costuma ser muito agitada, com muitas atividades e coisas para fazer. Especialmente nesta Semana Santa, podemos desligar o celular, diminuir o tempo na televisão e evitar conversas desnecessárias. No silêncio, conseguimos ouvir melhor a voz de Deus. Por isso, busquemos dedicar mais tempo à oração, falando com Ele, agradecendo e pedindo forças para sermos melhores.

 

Segundo convite: participar da missa e das demais celebrações com amor, com piedade e, principalmente, com atenção. Se possível, levemos nossa família conosco. Viver esses momentos juntos fortalece nossa fé e nos aproxima mais de Deus. Cada encontro na Igreja nos lembra do grande amor que Cristo tem por nós.

 

Terceiro, fazer uma boa confissão. Limpe seu coração. Deixe Deus renovar a sua vida. Nosso coração, às vezes, pode ficar pesado, mas Deus nos oferece um grande presente: a sua Misericórdia. Ele nos ama e está sempre pronto para nos dar um novo começo.

 

E, para concluirmos, um lembrete muito importante: Não basta apenas rezar e meditar sobre a Paixão de Cristo; devemos carregar essa experiência para nossa vida, ou seja, ter o compromisso de viver o que rezamos, agir com honestidade, defender os que são injustiçados e fazer escolhas que estejam em sintonia com os ensinamentos de Cristo.

 

Outra coisa, jejum não é só deixar de comer carne. É também deixar de lado os vícios, é se afastar de situações que nos afastam de Deus. Podemos jejuar dos maus hábitos, como a impaciência, a falta de caridade ou qualquer atitude que prejudique os outros. Podemos também aprender a aceitar as dificuldades com fé e ter paciência com a cruz. Todos nós temos uma.

 

Santo Tomás de Aquino nos ensina que, se estivermos buscando exemplos de paciência, de humildade, de obediência e de desprezo das coisas terrenas, acharemos todos eles na cruz de Cristo. E Santo Agostinho nos confirma isso ao dizer: “A Paixão de Cristo é suficiente para ser modelo de toda a nossa vida”.

 

Assim, meus irmãos e irmãs, que ao final desse tempo litúrgico, sejamos homens e mulheres renovados, ressuscitados com Cristo para uma vida nova. Se vivermos esses momentos nessa intenção e com o coração aberto, a Semana Santa será realmente um tempo de graça e de bênção para todos nós.

 

Amém. Com Deus no comando de tudo, junto somos mais fortes! Obrigado.

 

Padre Cícero José da Silva,

Pároco e reitor da Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores

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