De quem eu preciso lavar os pés?

De quem eu preciso lavar os pés?

Categoria: Artigos

10/03/2026 Por: Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Pe. Cícero José da Silva

Reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores


Ainda estamos na Quaresma, mas o coração já começa a se voltar para a Semana Santa. Um dos gestos mais fortes que vamos vivenciar é o lava-pés, recordado no evangelho de João, capítulo 13, versículos do 1 ao 15. Jesus estava à mesa com os discípulos quando se levantou, colocou água numa bacia, pegou uma toalha e começou a lavar os pés deles.

A Igreja nos ensina que, para servir, é preciso dobrar os joelhos, porque não se pode lavar os pés “de cima para baixo”. Ou seja: é necessário abaixar-se. E é justamente nesse movimento que está a grande lição deixada por Jesus: humildade, serviço e amor. Como Ele mesmo diz: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 12-14).

Por isso, quando na Quinta-feira Santa o ministro — seja o bispo, o padre ou o diácono — se ajoelha para realizar o rito do lava-pés, toda a comunidade contempla uma memória viva do Evangelho.

Diante desse gesto, cada fiel é convidado a fazer um exame de consciência muito concreto: no dia a dia, sou capaz de me abaixar diante da dor e da necessidade daqueles que caminham comigo na família, no trabalho ou na vizinhança? E uma pergunta ainda mais profunda: o que é mais difícil para mim: lavar os pés ou permitir que alguém lave os meus?

Para a mentalidade do nosso tempo, que tantas vezes valoriza o ter, o poder e a aparência, lavar os pés pode parecer um gesto de rebaixamento. O Evangelho, porém, nos ensina que o estilo de vida dos discípulos precisa ser diferente da lógica do mundo.

Assim, meus queridos irmãos e irmãs, a grande pergunta deste nosso caminho Quaresmal é simples e direta, ao mesmo tempo em que nos desafia a pensar: de quem eu preciso lavar os pés? Pode ser alguém da nossa família com quem precisamos nos reconciliar, alguém que espera uma palavra de acolhida ou um pedido de desculpa, alguém que está carregando sozinho o peso das responsabilidades de casa.

Quando nos abaixamos diante do irmão, repetimos o gesto de Cristo, que, sobretudo neste tempo, nos convida a caminhar com Ele rumo a Jerusalém. É um caminho que passa pela Cruz, pela entrega e pelo sacrifício, mas que não termina no Calvário.

Um abraço do pai, pastor e amigo,

Por: Pe. Cícero José

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