Categoria: Igreja
08/02/2020 Por: Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano
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O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (07/02), no Vaticano, os participantes do congresso “Educação: O Pacto Global”, promovido pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, em vista do evento mundial “Reconstruir o Pacto Educativo Global” que se realizará, no Vaticano, em 14 de maio próximo.
Francisco manifestou apreço pela reflexão sobre esse tema, afirmando que “hoje, é necessário unir esforços para alcançar uma aliança educacional ampla a fim de formar pessoas maduras, capazes de reconstruir o tecido relacional e criar uma humanidade mais fraterna”.
A educação integral e de qualidade, e os padrões de graduação continuam sendo um desafio mundial. Apesar dos objetivos e metas formulados pela Organização das Nações Unidas e outros organismos, e importantes esforços realizados por alguns países, a educação continua sendo desigual entre a população mundial. A pobreza, a discriminação, as mudanças climáticas, a globalização da indiferença, e a redução do ser humano a coisas, murcham o florescimento de milhões de criaturas.
Segundo o Papa, “a educação básica é hoje um ideal normativo no mundo inteiro”. Pesquisas mostram que houve progresso na participação de meninos e meninas na educação. O número de matrículas no ensino primário hoje é quase universal, evidenciando que a diferença de gênero diminuiu.
“Toda geração deveria pensar em como transmitir seus saberes e seus valores à geração futura, pois é através da educação que o ser humano alcança o seu potencial máximo e se torna um ser consciente, livre e responsável."
"Educar não é apenas transmitir conceitos, mas um trabalho que exige que todos os responsáveis, família, escola e instituições sociais, culturais e religiosas, participem desse processo de forma solidária. Para educar é necessário integrar a linguagem da cabeça com a linguagem do coração e a linguagem das mãos. Que um educando pensa o que sente e o que faz, sinta o que pensa e o que faz, e faça o que sente e o que pensa", ressaltou Francisco.
Segundo o Papa, “hoje, está em crise, rompeu-se o pacto educativo existente entre família, escola, pátria e mundo, cultura e culturas. Rompeu-se realmente e não pode ser colado ou recomposto, a não ser através de um esforço renovado de generosidade e acordo universal. O pacto educativo quebrado significa que a sociedade, a família e as instituições que são chamadas a educar, delegam a decisiva tarefa educacional a outros, evitando tal responsabilidade”.
“Hoje, somos chamados a renovar e unir o esforço de todos para a educação a fim de refazer um novo pacto educativo, pois somente assim será possível mudar a educação”, disse ainda Francisco.
Para isso, é preciso integrar os saberes, a cultura, o esporte, a ciência, a diversão e a recreação. É preciso construir pontes de conexão, superar a “pequenez” que nos fecha em nosso pequeno mundo, e ir ao mar aberto global, respeitando todas as tradições. As novas gerações devem entender com clareza sua tradição e cultura, em relação às demais, de modo que desenvolvam o autoconhecimento, enfrentando e assumindo a diversidade e as mudanças culturais. Assim, será possível promover uma cultura do diálogo, do encontro e da compreensão recíproca, respeitosa e tolerante. Uma educação que permita a identificação e promoção dos verdadeiros valores humanos dentro de uma perspectiva intercultural e inter-religiosa.
Para Francisco, “a família precisa ser valorizada no novo pacto educativo, pois sua responsabilidade começa no ventre materno, no momento do nascimento".
"Uma das maneiras fundamentais de melhorar a qualidade da educação no âmbito escolar é conseguir uma maior participação das famílias e comunidades locais nos projetos educacionais. Elas fazem parte da educação integral, pontual e universal”.
A seguir, o Papa fez uma homenagem aos professores, pois diante do desafio da educação vão adiante com coragem e perseverança.
“Eles são “artesãos” das gerações futuras. Com o seu saber, paciência e dedicação transmitem uma maneira de ser que se transforma em riqueza, não material, mas imaterial, criando o homem e a mulher do amanhã. Esta é uma grande responsabilidade. Portanto, no novo pacto educativo, a função dos professores, como agentes da educação, deve ser reconhecida e apoiada com todos os meios possíveis. Se o nosso objetivo é oferecer a cada indivíduo e cada comunidade o nível e conhecimento necessários para ter sua própria autonomia e ser capaz de cooperar com os outros, é importante investir na formação dos educadores com os mais elevados padrões de qualidade, em todos os níveis acadêmicos”.
Foram abordados durante o congresso e citados pelo Papa Francisco na audiência, temas como a nova ciência da mente, o cérebro e a educação, a promessa da chegada da tecnologia às crianças que atualmente não têm oportunidades de aprendizado, educação dos jovens refugiados e imigrantes no mundo, além dos impactos da desigualdade crescente e das mudanças climáticas na educação, os instrumentos para inverter os efeitos de ambos e reforçar as bases para uma sociedade mais humana, igualitária e feliz.
O Papa concluiu o seu discurso, falando sobre a beleza. “Não é possível educar sem induzir à beleza, sem induzir o coração à beleza. O caminho da beleza é um desafio deve ser enfrentado.”
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