Categoria: Igreja
04/03/2026 Por: Vatican News pt
Por ocasião da celebração dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem aos participantes da sessão extraordinária realizada no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta terça-feira (03/03).
A cerimônia integra oficialmente o calendário celebrativo do bicentenário no país e contou com a participação dos bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de parlamentares, representantes do corpo diplomático e outras autoridades civis e eclesiásticas.
A mensagem do Pontífice foi lida por dom Giambattista Diquattro, núncio apostólico no Brasil. No texto, Leão XIV ressalta a “longevidade de uma amizade autêntica, que soube adaptar-se às grandes transformações sociais e políticas ocorridas tanto no país quanto no mundo, evidenciando a robustez deste vínculo"
O Papa destaca o empenho diligente — e muitas vezes silencioso — de diplomatas e eclesiásticos que, ao longo de dois séculos, colaboraram para o aprofundamento dessa relação. Recorda ainda que a diplomacia brasileira se caracterizou, desde os primórdios, pelo respeito à fé católica transmitida de geração em geração no seio do povo.
“No período colonial, a Igreja exerceu nessas terras um papel decisivo no âmbito educativo, cultural e moral, contribuindo, a partir dos preceitos do Evangelho, para a formação de identidades locais, para a difusão de valores éticos comuns e para o debate público sobre temas de mútuo interesse, como a justiça e o bem comum”.
O Pontífice observa que a separação entre Estado e Igreja não significou ruptura ou enfraquecimento das relações, mas o aperfeiçoamento de uma parceria que se mostrou firme e enriquecedora para ambas as partes.
Ao celebrar o bicentenário, Leão XIV afirma que, mesmo nas mudanças de época e nos períodos mais desafiadores, Brasil e Santa Sé permaneceram ao lado dos que defendem os princípios fundamentais da dignidade humana. Segundo ele, a atuação conjunta em diversas frentes reafirma a relevância do diálogo e da diplomacia multilateral na construção de um mundo mais justo.
“Esta trajetória conjunta, que não se distingue por ser apenas uma aliança institucional, significa um compromisso recíproco com a promoção da paz e da concórdia, o socorro aos mais pobres e desvalidos e o cuidado com a nossa casa comum”, pontua o Papa, destacando uma responsabilidade que ultrapassa fronteiras e circunstâncias históricas.
O Pontífice manifestou ainda o desejo de que a comemoração inspire um futuro de colaboração ainda mais fecunda. Recordou, como expressão concreta da solidez dessa relação, a assinatura do Acordo entre a Santa Sé e o Brasil, em 2008, ressaltando que os laços diplomáticos contribuem para garantir a liberdade religiosa — pilar essencial de uma democracia plenamente consolidada.
Leão XIV concluiu a mensagem invocando a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, e concedendo sua bênção apostólica a todo o povo brasileiro.
Na abertura da sessão, foi exibido um vídeo que recordou os 200 anos de colaboração mútua em favor do bem comum.
O cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, destacou que a Igreja acompanhou momentos decisivos da história brasileira, do período imperial à consolidação da República. Ao mencionar a separação entre Igreja e Estado, afirmou que o processo representou um amadurecimento institucional.
Dom Paulo Cezar recordou as visitas de João Paulo II e Francisco e destacou o Acordo Brasil-Santa Sé, assinado em 2008 e promulgado em 2010, como expressão de maturidade nas relações bilaterais e garantia da liberdade religiosa dentro do Estado laico.
“Consolidou-se no Brasil um modelo de laicidade positiva, no qual Estado e Igreja são distintos e independentes, mas colaboram reciprocamente em favor da sociedade”, declarou.
O cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB, afirmou que o bicentenário é ocasião para recordar “um caminho espiritual e humano” no qual a diplomacia esteve a serviço da paz e da dignidade da pessoa humana.
Segundo ele, apesar das profundas transformações históricas ao longo desses 200 anos, as relações entre Brasil e Santa Sé mantiveram como fundamento a centralidade da pessoa humana, criada à imagem de Deus e chamada à liberdade e à responsabilidade.
Dom Jaime também citou discurso recente de Leão XIV ao corpo diplomático, ressaltando que a diplomacia da Santa Sé não busca privilégios políticos, mas nasce de uma visão ética e espiritual da história, na qual o diálogo prevalece sobre o conflito.
No mesmo dia, foi celebrada na Catedral Metropolitana de Brasília uma missa em ação de graças, presidida pelo cardeal Lorenzo Baldisseri, enviado especial do Papa para a ocasião. O purpurado foi núncio apostólico no Brasil em um dos momentos marcantes dessa história diplomática: a assinatura do Acordo entre os dois Estados, em 2010.
Em sua homilia, manifestou alegria por estar no país neste momento significativo. “Tenho a honra de trazer a saudação, a bênção apostólica e a particular solicitude de Sua Santidade, Pastor Universal da Igreja, para esta Terra de Santa Cruz, tão rica em humanidade, tradição e vida cristã”, afirmou.
Recordando os anos de serviço no Brasil, destacou a diplomacia como instrumento de paz, negociação e mediação. Ao final da celebração, dom Jaime Spengler agradeceu a presença de Baldisseri neste “marco histórico” e recordou sua contribuição para a Igreja no Brasil.
O presidente da CNBB também dirigiu agradecimento ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mencionando o contexto internacional marcado por tensões que exigem da diplomacia sabedoria e discernimento.
Matheus Macedo - Vatican News
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