Categoria: Basílica
20/05/2020 Por: Patrícia Mirelly
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Não encher o coração de medo, mas de esperança. Esse foi o pedido do reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte - CE, Padre Cícero José da Silva, aos romeiros que celebraram mais um dia vinte isolados em suas casas.
Ao presidir a missa em sufrágio da alma do Padre Cícero Romão, nesta quarta-feira, o reitor também disse que, embora a pandemia do novo Coronavírus avance, "romeiro de verdade vive na fraternidade, vence os desafios, tem fé em Deus, reza o Santo Rosário e pratica, cada vez mais, os ensinamentos deixados pelo padrinho".
Entre esses ensinamentos, considerou Padre Cícero José, está à confiança na ação do Espírito Santo, proclamada por Jesus na sequência das leituras oferecidas pela liturgia do Tempo Pascal desta semana. "A ação do Espírito Santo fez o padrinho compreender todos os acontecimentos na sua vida, na vida da beata Maria de Araújo e na vida do seu povo. Foi essa ação que deu força ao padrinho para superar as barreiras e prosseguir no cumprimento das vontades do Coração de Jesus".
O dia vinte, em qualquer período, ganha sentido para os romeiros, tanto mais no mês de maio, dedicado a Nossa Senhora, por quem o patriarca do Nordeste cultivava especial devoção. Como a pandemia ainda faz vítimas pelo Brasil, principalmente no Ceará, eles continuam privados de vir a Juazeiro. Mas não devem, por isso, desanimar, considerou Padre Cícero José, mas buscar conforto na fé e confiar na ação do Espírito Santo que dá coragem, reanima e intercede em favor de todos.
Na conclusão da homilia, reforçando o pedido do Papa Francisco, o reitor da Basílica leu a carta de uma romeira, cujo conteúdo pede a intercessão do padrinho pelo fim da pandemia e pela descoberta de uma vacina que permita o retorno "à vida normal e, principalmente, às romarias".
Leia na íntegra.
Súplica ao meu padrinho Cícero Romão
Meu padrinho,
Tuas últimas palavras foram que ia para o céu rogar a Deus por nós.
É mais um dia vinte. Da janela de minha casa, vejo o dia nascer e o relógio marcar seis horas. No peito, o coração aperta de saudades e de vontade de estar no santo Juazeiro, acenando o chapéu enquanto a missa começa.
Vestido com a minha roupa preta, sinal de luto, mas também de esperança, sintonizo a TV Web Mãe das Dores. Ah, padrinho, a capela do Socorro está de novo vazia, mas cheia de fé romeira.
Desde março é assim, meu padrinho. A pandemia de um tal coronavírus nos tem feito peregrinar por um caminho longe, cheio de pedra e areia, que nos isola em casa, mas nos distancia dos nossos.
Esse vírus chegou do estrangeiro e se espalhou até aqui, no interior. Dizem que é perigoso. Não poupa o dinheiro dos ricos, nem se importa com a falta de condição dos pobres. Ameaça jovem, adulto, idoso e já matou meio mundo.
O senhor, meu padrinho, que também viveu num tempo difícil, olhe cá por nós e interceda a Deus pelo fim dessa pandemia, para que ela não mate nem ameace mais ninguém.
É dia 20 meu padrinho, peça também por nossos governantes, para que as decisões deles sejam iluminadas e surtam efeito. Já mandaram fechar rua, fechar escola, fechar comércio e os casos da doença aumentando. Aproveite e peça pelo povo, para que tome consciência do perigo e seja obediente, que fique em casa, zelando pela vida dos seus e de todos. Peça, meu padrinho, que ilumine os cientistas e pesquisadores, para que descubram logo uma vacina. Assim nós podemos voltar à vida normal e, principalmente, voltar às nossas romarias. E peça por nossa Igreja, para que continue a nos fortalecer espiritualmente. Se não fosse ela, com seus pastores, ninguém ficava mais de pé. Que a humanidade aprenda, de agora em diante, viver de verdade, na fraternidade, para que situações como essas não aconteçam mais.
Meu padrinho, dê esse recado a Deus por mim. Amém.
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