No Largo do Socorro, fiéis conservam a tradição de rezar pelo Padre Cícero a cada dia 20

No Largo do Socorro, fiéis conservam a tradição de rezar pelo Padre Cícero a cada dia 20

Categoria: Basílica

20/05/2023 Por: Nayane Moreira - Jornalista


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Quem chega no Largo do Socorro nas primeiras horas da manhã de cada dia 20 sempre encontra o espaço preparado para acolher os inúmeros fiéis que, religiosamente, se reúnem nesta data para lembrar a romaria definitiva do Servo de Deus Padre Cícero e rezar em sufrágio da alma do sacerdote. E neste 20 de maio não foi diferente. Antes do raiar do sol, os devotos que chegavam nos arredores da Capela do Socorro, em Juazeiro do Norte – CE, já podiam ouvir o som acolhedor da banda de música e a animação do coordenador do setor da campanha dos benfeitores, Rosivaldo Pedro.

Antes e depois da celebração, a visita ao túmulo do Servo de Deus e ao nicho que está erguido na parte externa da Capela não pode faltar. Com os braços alçados para o Alto, como quem espera receber as bênçãos nas palmas das mãos, os fiéis que ladeiam estes dois espaços suplicam a Deus as graças necessárias que pretendem alcançar por intermédio do Patriarca do Nordeste e agradecem pelo início de mais um dia de luta e trabalho.

Na melodia da canção: “Salve, meu padrinho Cícero”, que sinaliza as horas inteiras no relógio do Socorro, a Santa Missa teve início pontualmente às seis da manhã, como é costume. O Padre Cícero José, reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, presidiu a Eucaristia, que foi concelebrada pelos párocos e vigários paroquiais dos Santuários de Juazeiro do Norte (Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Salesianos – e Paróquia São Francisco das Chagas).

Nas vésperas de celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor, a liturgia da Palavra foi um convite a necessidade da relação íntima com Deus, através da oração, e exortou os que escutavam a reconhecerem, com firmeza e abertura de espírito, a Realeza do Mestre Jesus. “Durante esta semana, a liturgia nos preparou para as solenidades da Ascensão e de Pentecostes. Nesta preparação foi destacada a ida de Jesus para junto do Pai e o envio do Espírito Santo. É a união do Pai, do Filho e do Espírito Santo que formam a unidade presente em nossa vida e fortalece cada um de nós na missão”, refletiu o Padre Cícero José durante a homilia.

O sacerdote ainda relacionou o que ensina à sagrada escritura com a vida e as ações do Conselheiro do Sertão: “A união do ‘padrinho’ com Deus Pai e Jesus foi o que fez ele cumprir tão bem a missão de tomar conta do povo. Muitos não conseguiram compreender o que fortalecia o Padre Cícero e, por isso, o perseguiram. No entanto, tudo está bem claro: só permanece firme na missão e vence os desafios da caminhada quem está unido a Deus Pai e ao Seu Filho, Jesus.”

Antes da conclusão da Santa Missa, a comunidade reunida louvou a Deus pelos dez anos de vida sacerdotal do pároco da Paróquia São Francisco das Chagas, Frei Antônio Fernandes Garcia, completados na última quinta-feira, 18 de maio.

 

Pois eu sigo o amor e o amor é caminhar

Aproximadamente 30 quilômetros separam Juazeiro do Norte do distrito de Jamacaru, Ceará. Além de serem pertencentes ao território diocesano de Crato, as duas localidades ainda logram de outro ponto em comum: possuem a Virgem dolorosa como principal patrona. Na data que antecedeu à missa do dia 20, início da noite de sexta-feira (19), setenta e três pessoas receberam a bênção em frente à Matriz de Nossa Senhora das Dores (em Jamacaru) e saíram, a pé, rumo a terra do Padre Cícero. Era por volta das quatro horas da manhã quando os primeiros peregrinos chegaram ao Largo do Socorro, onde participaram da celebração em sufrágio da alma do Patriarca do Nordeste e, em seguida, se deslocaram para o Colina do Horto, onde está erguido o monumento em homenagem ao sacerdote.

 

“Se apegue com o Padre Cícero que você vai se curar”

Além dos romeiros de Jamacaru, outras caravanas vindas dos mais diversos estados do Nordeste também estiveram presentes. Uma delas era do município de Monsenhor Tabosa, no Ceará. Organizada pela Ana Lúcia, o grupo de 31 pessoas já realizou a peregrinação por quatro vezes.

Tudo começou após a Ana Lúcia receber, há sete anos, um resultado positivo para o câncer de mama. Em meio ao desespero do diagnóstico, ela sentou-se chorosa em uma das cadeiras da recepção do consultório médico e uma senhora desconhecida perguntou de forma espontânea: “você é católica? Tem fé? Se apegue com o Padre Cícero que você vai se curar”. Naquela hora, ela prometeu que, se ficasse curada, viria a Juazeiro do Norte vestida em batina semelhante a do Padre Cícero para participar da missa do dia 20 e traria mais gente com ela. “Hoje estou ótima, não sinto absolutamente nada, é uma graça que eu considero. Todo esse pessoal que vem comigo se organiza e se prepara para este momento, fazemos na estrada uma verdadeira catequese de romaria (...) nossa motivação é alimentar nossa fé e voltar daqui com o espírito e a mente abastecidos”, disse com alegria.

 

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