Porque Coroamos a Mãe de Deus

Porque Coroamos a Mãe de Deus

Categoria: Basílica

30/05/2018 Por: Aline Salustiano


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“Neste mês de Maria,

Tão lindo mês de flores,

Queremos de Maria,

Celebrar os louvores”

Assim cantavam as crianças, na sua pureza quase angelical, nas noites frias de maio, coroando a imagem da Virgem Maria, como a coroou seu filho na unidade da Trindade Santíssima.

Os tempos e os costumes mudaram e, com eles, também nós, a nossa cultura, a nossa sociedade, já não ouvimos senão talvez no interior e nas pequenas comunidades, ressoar aquela melodia, aquelas vozes e a coreografia que lembrava a corte celeste com os anjos louvando e reverenciando a Mãe de Deus.

De uma sociedade quase estática em que vivíamos até a metade do século passado, passamos por crescimento populacional vertiginoso, um desenvolvimento científico e tecnológico que somos praticamente incapazes de acompanhar e, sobretudo, de analisar e colocar sob a égide do ser humano.

A filosofia e a tecnologia se confundem no julgamento do que surge e que penetra profundamente em nossas vidas. Inquietos, questionadores e independentes buscamos, nessa evolução natural da nossa condição humana, embora cheia de acidentes, encontrar o rumo dos valores humanos e eternos.

Para nós, cristãos, esta busca passa pelas mãos de Maria, como é certo que, nos mistérios da redenção, quando o Pai eterno quis dela o assentimento, o “sim”, pelo qual se tornou Co - Redentora - “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim a tua vontade”, antecipando, em segundos, no tempo, o Filho que ao entrar no mundo disse: “Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade”.

Em toda a história da Igreja, Maria se fez presente. Presença delicada, silenciosa, como na Bodas de Caná da Galiléia – “Meu Filho, eles não têm mais vinho” – como no segredo da encarnação do Verbo, como junto à Cruz.

Na Grécia, como em Roma, quando a Igreja, saída das perseguições pagãs, teve de enfrentar novo perigo, o das heresias na formulação da fé, no Concílio de Éfeso, São Cirilo de Alexandria, após a definição dogmática, pôde saúda-la e invocar: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!”.

Nas ruas de Roma, invadida pelos bárbaros, nas esquinas, onde ainda se podem ver as imagens de Nossa Senhora, o povo a invocava, a “Salvação do Povo Romano”, rezando como ainda o fazemos: “Sob vossa proteção nos refugiamos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis nossas súplicas em nossa necessidade, mas livrai-nos de todos os perigos, o Virgem gloriosa e bendita”.

Na Idade Média, as catedrais góticas atestam a devoção a Maria e a gratidão do povo nas calamidades daquele tempo, enquanto Domingos de Gusmão empunhava o rosário contra a heresia dos albigenses e Simão Stoc colocava o escapulário do Carmo, presente de Nossa Senhora para aqueles que recorrem à sua proteção, inclusive para passarem do purgatório para o céu, como vemos representado em nossa Catedral diocesana de Crato.

Nos dias de hoje, em Lourdes ou em Fátima, mensageiros do Evangelho eterno, nos lembra que saímos de Deus e a Ele devemos voltar pelo batismo e, por uma vida santa, aguardar pelo seu advento glorioso. O simbolismo de cavar a terra e dela surgir a água, em Lourdes, faz-nos meditar sobre a criação e as águas que nos renovam na graça, enquanto em Fátima, na aridez da paisagem e no milagre do sol, nos lembra o fim último e a glória do Cordeiro.

Maria está presente em nosso tempo. Talvez não tanto mais na simplicidade dos anjinhos do mês de maio que evocamos, mas sobretudo na certeza de que nos dá assistência nesse vale de lágrimas, as vezes semeando de alguma alegria. A Ela invocamos, a seus santuários acorrem multidões nas suas necessidades e lá depositam os ex-votos de gratidão.

Um devoto de Maria não se perde, ensina Santo Afonso e Bernardo de Claraval nos orienta para, em todos os momentos, de alegria e angústia, de dificuldade e incerteza, olharmos a Estrela, chamar por Maria – Respice Stellam. Voca Mariam. Ela está diante de seu filho a interceder por nós, para que sejamos dignos de herdar as suas promessas, de vermos a Deus face a face, no resplendor do seu Unigênito e no amor eterno do seu Espírito.

Padre Paulo Cesar Borges

Vigário Paroquial.

 

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