Categoria: Basílica
25/03/2020 Por: Assessoria de Imprensa
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Para conter a disseminação do coronavírus, doença que tem assustado o mundo, as autoridades governamentais e sanitárias tomaram uma decisão radical: o fechamento de alguns estabelecimentos públicos e privados e o isolamentos das pessoas. Isso tem provocado uma diversidade de sentimentos, desde o estresse até a ansiedade. A equipe de comunicação da Basílica Santuário/ Diocese de Crato conversou com a psicóloga Nara Morais e pediu que ela desse algumas dicas de como viver esse tempo com tranquilidade. Confira!
1- ALÉM DO CORONAVÍRUS, O QUE MAIS TEM PROVOCADO A NOSSA ANGÚSTIA, MEDO E ATÉ MESMO O PÂNICO?
Nara: As próprias demandas contemporâneas fazem as pessoas se isolar, muitas vivem enclausuradas e não tem convício social pelo medo e insegurança, principalmente nas grandes cidades. Tudo isso, então, gera angústia na gente.
2- E AS PESSOAS QUE SOFREM DE ANSIEDADE? COMO ELAS PODEM ADMINISTRAR TUDO ISSO?
Nara: Elas têm que buscar disciplinar o pensamento. Assim como disciplinamos, educamos uma criança, nós também precisamos disciplinar o pensamento. A ansiedade é gerada pelo excesso de pensamento, de perguntas que criamos diante das demandas. Nesses tempos de isolamento, é, realmente, muito difícil, porque as notícias acabam tomando uma dimensão maior e a pessoa acaba entrando em crise. Então, é procurar fazer tarefas prazerosas, como ler aquele livro que você deixou esquecido na estante, que sempre quis ler, mas não teve tempo; ficar na companhia das pessoas que você gosta, que estão no seu convívio, conversar mais, estreitar os laços. Assim, a gente deixa de ser menos ansiosa, porque vive de forma mais afetiva o nosso dia a dia, pensando menos no amanhã e vivendo mais no hoje.
3- TAMBEM TÊM AQUELAS PESSOAS QUE SÓ DE OUVIR FALAR NOS SENTOMAS JÁ ACHAM QUE TEM A DOENÇA? O QUE ELAS PODEM FAZER PARA, DIGAMOS, TIRAR ISSO DA CABEÇA?
Nara: Pessoas que sintomatizam a partir do que veem também é sintoma de ansiedade. E, por medo do Covid-19, acabam exacerbando alguns sintomas só devido à preocupação. A gente tem que fazer coisas que faz sentir bem, educar os pensamentos, estar em contato com pessoas queridas, selecionar o que vê, lê e imaginar menos.
4- COMO CONVERSAR COM AS CRIANÇAS E OS IDOSOS SOBRE O ISOLAMENTO SOCIAL?
Nara: Para elas [as crianças] é muito difícil, porque são agitadas, gostam de sair. A conversa deve ser feita a partir de cada fase, explicar por que a gente está isolada, qual é o perigo. Para que o pânico não chegue, precisa ter uma conversa muito serena, tranquila, sem gerar ansiedade, para que possa absorver isso de forma saudável. Com os idosos, do mesmo jeito. É um público mais teimoso, resistente. Então é acolher, dar apoio, afeto, amor.
5- COMO AS PESSOAS QUE TÊM COMPULSÃO ALIMENTAR DEVEM LIDAR COM A QUARENTENA?
Nara: É preciso um acompanhamento, porque a ansiedade traz a compulsão. É preciso ter uma reeducação dos pensamentos e do comportamento, para que não associe tudo que vai fazer àquilo que está ingerindo. É respirar, fazer treino de relaxamento, ter atividades prazerosas.
6- E COMO A FÉ PODE AJUDAR A ADMINISTRAR TUDO ISSO QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Nara: Tudo isso só pode ser superado com a fé. Sem ela, não se tem perspectiva da vida, de futuro. A fé faz com que você se mova. Mesmo às vezes se angustiando, porém, lá dentro do coração, tem essa certeza de que tudo vai dar certo. A fé, a espiritualidade, o equilíbrio emocional traz essa vontade de acreditar que, no fim, só vai restar coisa boa e aprendizado. Acima de qualquer coisa, a principal orientação é ter fé em Deus e acreditar que, no fim, a gente vai estar se abraçando novamente.
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