Categoria: Basílica
29/01/2026 Por: Nayane Moreira | Jornalista
O movimento intenso nas ruas de Juazeiro do Norte já anuncia: é tempo de Romaria. A cidade, marcada pela devoção ao Padre Cícero Romão Batista, volta a ser iluminada pela fé dos romeiros que chegam de diversas regiões do Nordeste e do Brasil para participar da Romaria de Nossa Senhora das Candeias. A luz, simbolizada pela chama das velas e candeeiros, representa esperança e guia uma peregrinação centenária que atravessa gerações.
De acordo com o reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, a origem dessa tradição remonta aos primeiros anos de formação do município. Fundada pelo Padre Cícero, Juazeiro do Norte nasceu a partir de uma prática pastoral simples e profundamente conectada ao povo. “Essa cidade foi fundada pelo Padre Cícero Romão, sacerdote que, no seu tempo, soube ensinar os caminhos de Deus utilizando uma metodologia pastoral, catequética e simples. A partir da habilidade de um artesão, ele organizou a primeira procissão, iluminada por candeeiros. Desde então, essa festa tem crescido. É bom saber e ver que hoje contamos não apenas com pessoas da cidade e da região, mas de todo o Nordeste e do Brasil”, destacou o reitor.
A Basílica de Nossa Senhora das Dores é um dos principais pontos de visitação dos peregrinos e concentra grande parte da programação religiosa da Romaria. Até o próximo dia 2 de fevereiro, o cenário na cidade é marcado por gestos de fé, agradecimento e renovação espiritual, reafirmando a devoção à Mãe das Dores, também chamada de Mãe das Candeias.
Entre os romeiros, não faltam histórias de superação e graças alcançadas. Maria das Neves, romeira de Alagoas, visita Juazeiro há mais de 30 anos e voltou à cidade para pagar uma promessa. “Há dez anos tive um filho que nasceu com refluxo. Tudo o que ele se alimentava, colocava para fora. O médico disse que só um milagre para ele sobreviver. Então me vali de Nossa Senhora e do meu padrinho ‘Ciço’. Hoje venho pagar a promessa pela graça alcançada na minha vida e na vida do meu filho”, contou emocionada.
Outra demonstração de devoção veio de Dona Gedalva Ferreira, de 60 anos, também de Alagoas, que entrou de joelhos da porta da igreja até o altar. “Desde criança eu desejava muito vir, mas nunca havia tido a oportunidade. No entanto, há doze anos consegui realizar o sonho e continuei a vir para essa Romaria. Meu padrinho ‘Ciço’ me guiou e a Mãe das Dores me abençoou. Em gratidão, sempre entro de joelhos”, relatou.
A fé também é transmitida dentro das famílias. José Carlos Souza, romeiro de Alagoas, destaca que a devoção atravessa gerações. “Já estamos na vigésima vez que participamos da Romaria. Começou com meus pais e avós, e hoje damos continuidade. Esperamos que, no futuro, nossos filhos e netos mantenham viva essa tradição da Romaria da Mãe das Dores e de Nossa Senhora das Candeias”, afirmou.
Segundo a organização, cerca de 300 mil pessoas devem passar por Juazeiro do Norte ao longo dos dez dias de festa. À noite, durante as celebrações campais, é possível dimensionar a grandiosidade da Romaria. A missa de abertura do tempo de Romaria foi celebrada neste dia 29 de janeiro, marcando a continuidade do novenário iniciado em 24 de janeiro. A celebração foi presidida pelo Padre Macerlândio Teixeira, secretário executivo do Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que destacou a força da religiosidade popular no Ceará.
“O Estado do Ceará é marcado pela piedade popular. É ela que fortalece a fé do nosso povo, marca os corações dos fiéis e não apenas enche as igrejas, mas conduz as pessoas ao Evangelho, ao serviço, à doação da vida e, sobretudo, ao coração de Jesus Cristo”, ressaltou.
E se depender dos romeiros, o Luzeiro da Fé, renovado a cada Romaria, continuará aceso e guiando as futuras gerações que fazem de Juazeiro do Norte um dos maiores símbolos da religiosidade popular do Brasil.
Inscreva-se em nossa lista de e´mails para receber notificações de notícias, eventos e outras informações da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores.