Categoria: Basílica
02/04/2018 Por: Padre Paulo Cesar Borges
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A Páscoa era originalmente uma festa de pastores que celebravam, o nascimento das ovelhas. Nessa festa, os pastores derramavam sangue de cordeiro em torno do acampamento, a fim de espantar os espíritos que poderiam prejudicar a fecundidade do rebanho.
Quando saiu do Egito, Israel adaptou a festa às condições de um povo sedentário. Ela se torna a celebração do êxodo traduzida em forma de refeição. Foi associada à festa dos Ázimos, que era uma festa agrícola, porém só começou a ser celebrada em Israel quando este tomou posse da Terra Prometida. E só foi associada à festa da Páscoa depois da reforma de Josias.
O texto que relata a Páscoa dos judeus aparece bem mais tarde, num contexto de opressão para Israel, durante o exílio da Babilônia. Na ocasião, as festas da Páscoa e dos Ázimos já eram celebradas juntas. Esse texto oferece algumas indicações preciosas: a Páscoa marca o início de uma nova era, o tempo da libertação.
Para a inauguração dessa nova era, requer-se partilha, onde ninguém tenha de mais e a ninguém falte o que comer. É uma festa que visa a preservação da vida. Agora, o sangue não mais afugentará os maus espíritos, mas servirá de sinal para a preservação de Israel enquanto povo, ameaçado desaparecer pela política de morte dos poderes opressores: o faraó que controla os nascimentos e todo e qualquer sistema impositivo que controla a origem da vida.
Com Cristo, se inaugura uma nova era, a da Páscoa de Jesus. Ele está plenamente consciente desse momento. Isso é caracterizado em grego, pelo verbo ‘vida’, que significa conhecimento adquirido, pela consciência do que se faz. Essa consciência está associada à hora de Jesus, que culmina com a morte na cruz.
Anseios de vida nova, busca de um sentido para a própria existência, medo de morte enquanto fracasso. Esperança do amor que tudo renova... tudo isso encontra sua razão de ser na ressurreição de Jesus. Ela é o dinamismo que impulsiona a vida e a ação dos que se comprometem com Cristo, de modo que se atue hoje à prática de Jesus de Nazaré. Essa prática exige discernimento, desapego, para que o cristão, ressuscitado com Cristo no Batismo, caminhe para a plena realização. A ressurreição de Jesus é demonstração de como pode ser plena a vida de todos os cidadãos que se empenham em transformar nossa sociedade desigual.
Em síntese, a Páscoa para nós, hoje, é mudança de vida, e o abandono do nosso eu antigo, cheio de egoísmo, e a conquista do nosso verdadeiro eu, sonhado por Deus e que deseja a paz para todos. Que deseja o mesmo amor infinito que Jesus demonstrou para nós, porque só esse amor é capaz de transformar o mundo e fazer de todos nós irmãos, filhos de um mesmo Pai misericordioso.
Padre Paulo Cesar Borges
Vigário Paroquial da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores
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