Sínodo: divorciados recasados – reflexões e propostas; abertura à vida

Sínodo: divorciados recasados – reflexões e propostas; abertura à vida

Categoria: Basílica

10/10/2014 Por: Administrador


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Continuam os trabalhos do Sínodo dos bispos sobre os desafios pastorais da família. Duas linhas de reflexão emergem dos debates acerca dos divorciados recasados como nos conta o padre Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé: “Há uma linha que fala com muita decisão do anúncio do Evangelho do matrimónio, que exige afirmar que se há uma ligação válida matrimonial existente, não é possível a admissão aos Sacramentos de divorciados recasados. Portanto, digamos uma afirmação da coerência da doutrina por fidelidade à Palavra de Deus. E uma linha que, não negando de forma alguma a indissolubilidade do matrimónio na proposta do Senhor Jesus, mas quer ver – numa lógica de misericórdia que naturalmente é importantíssima para todos – as situações vividas e fazer um discernimento sobre como enfrentá-las nas diversas situações que são, às vezes, muito específicas. Portanto, ver – sem negar de forma nenhuma a doutrina fundamental – como se pode ir ao encontro das exigências da misericórdia numa aproximação pastoral às diversas situações que se têm que enfrentar.”


Segundo o padre Lombardi foram mesmo apresentadas propostas concretas de organização dos serviços diocesanos para tratar este assunto: “Houve também propostas bastante concretas de organização de gabinetes diocesanos que enfrentem a temática sob a direção do bispo. Ao mesmo tempo, também sobre esta temática insiste-se sobre a atenção às exigências da verdade e da justiça, para não chegar a uma espécie de divórcio católico e, portanto, inserir e reconhecer a importância também do processo e dos procedimentos canónicos, numa pastoral conjunta de verdadeira atenção ao bem do povo de Deus e das pessoas.”


“Os desafios pastorais acerca da abertura à vida” é outro tema que também já foi debatido pelos bispos neste Sínodo. De destacar a intervenção do cardeal-arcebispo de Paris, D. André Vingt-Trois, que lamentou o facto de que muitos casais católicos tenham perdido a noção de “pecado”no uso de contracetivos, rejeitados pelo magistério da Igreja. Referiu ainda que dessa forma tendem a não fazer disso uma matéria de Confissão, recebendo assim a Comunhão sem problemas.


O testemunho acerca desta temática falou em português tendo sido apresentado pelo casal Artur e Ermelinda, unidos em matrimónio há 41 anos e coordenadores das Equipas de Nossa Senhora no Brasil.A intervenção sublinhou a importância da sexualidade no casamento tendo sido salientado que “…os casais que fazem amor são os que expressam com o corpo o que lhes vai no coração. Para chegar à harmonia, é preciso saber cultivar o desejo e até mesmo um erotismo sadio”.


Este casal brasileiro abordou também a questão da contraceção para “admitir sem medo que muitos casais católicos, mesmo os que procuram viver seriamente o seu matrimónio, não se sentem obrigados a usar apenas os métodos naturais”. “O controlo da natalidade através dos métodos naturais teoricamente é bom; porém, na cultura atual parece-nos carecer de praticidade. Casais, principalmente jovens, vivem um ritmo de vida que não lhes permite praticar esses métodos”, alertou o casal Artur e Ermelinda que concluiu o seu testemunho considerando que é importante responder “às exigências do mundo atual” sem “ferir o essencial da moral católica”.


De recordar que nesta quinta-feira terminaram as intervenções dos padres sinodais na Assembleia dando lugar aos círculos menores.

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