Tradição e devoção marcam Procissão do Encontro na Basílica Santuário

Tradição e devoção marcam Procissão do Encontro na Basílica Santuário

Categoria: Basílica

31/03/2026 Por: Patrícia Mirelly Lima | Jornalista


Celebração ressalta unidade entre paróquias e convida à reflexão sobre o sofrimento e a esperança.

A noite desta terça-feira, 31 de março, foi marcada pela devoção e participação popular na Basílica de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, com a realização da tradicional Procissão do Encontro. A celebração, uma das mais comoventes da Semana Santa, revive o momento em que Jesus, carregando a cruz, encontra sua Mãe, a Virgem das Dores, no caminho do Calvário.

Neste ano, a procissão ganhou ainda mais expressividade com a participação das paróquias Nossa Senhora de Lourdes (Igreja de São  Miguel), de onde partiu a Imagem da Virgem Dolorosa; e Sagrado Coração de Jesus (Igreja dos Salesianos), de onde partiu a Imagem do Bom Jesus dos Passos, em um percurso noturno, realizado entre casas e sob a iluminação pública, cujo ponto alto foi o encontro na Praça do Romeiro.

 

Simbologias

Jesus curvado sob o peso da cruz e Maria de pé, embora transpassada pela dor, traduziam visualmente o mistério celebrado. Os andores ornados com flores, as vestes roxas que remetem à penitência e o clima de recolhimento criaram um ambiente de oração, inclusive entre aqueles que expressam sua fé mais pelo caminhar do que pelas palavras.

Em sintonia com o apelo do saudoso Papa Francisco por uma Igreja em saída, a procissão ocupou o espaço público, levando o sagrado para além das paredes da igreja e santificando o cotidiano das ruas e das casas. Homens e mulheres de diferentes idades se revezaram no transporte dos andores, enquanto os sacerdotes, coroinhas e acólitos, em vestes litúrgicas, conduziam o cortejo.

Inspirada na quarta estação da Via-Sacra, a Procissão do Encontro destaca o significado da dor redentora: de um lado, Cristo que assume o sofrimento humano; de outro, Maria, sinal de fidelidade e esperança mesmo diante da dor mais profunda.

 

Nenhuma lágrima sem consolação

Após o encontro das imagens, a assembleia participou do Ofício das Dores de Nossa Senhora e acompanhou o sermão do bispo da Diocese de Crato, Dom Magnus Henrique. Na reflexão, destacou o encontro entre Jesus e Maria como um testemunho silencioso, mas cheio de significados: enquanto o Filho segue abatido pelo peso da cruz, a Mãe permanece de pé, sem tentar impedir o sofrimento, mas oferecendo uma presença definida por ele como “o mais alto testemunho do amor que não desiste”.

Dom Magnus também ressaltou a força do olhar de Maria, que dispensa palavras e se torna bálsamo diante da dor do Filho. Em seguida, percorreu as sete dores de Nossa Senhora, relacionando-as às realidades humanas atuais: a aceitação do sofrimento sem explicação, o medo e a insegurança vividos por famílias, a angústia da perda, e a dor irreparável de mães que perderam seus filhos.

“Vós, mães, que carregais no coração histórias que só Deus conhece, recebei, hoje, o consolo: nenhuma lágrima é inútil, nenhuma dor é esquecida, nenhum amor é em vão. Deus recolhe todas as lágrimas de quem sofre e transforma em pérolas fecundas, pois, como dizia o Padre Cícero, Deus nunca deixou trabalho sem recompensa, nem lágrimas sem consolação”, exortou.  

A Procissão do Encontro pode ser vista na íntegra no canal da TV Mãe das Dores no Youtube. 

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