Categoria: Artigos
04/10/2022 Por: Marcus Vinícius Ricarto
Certa vez encontrava-me na fila para a confissão e do banco onde aguardava minha vez, algo me saltou aos olhos. Exatamente daquele ângulo, apenas o braço do Crucificado ficava à vista, o restante do Corpo estava por trás de uma parede. Comecei, então, a refletir.
Até Deus ficou sozinho. O momento da cruz, ao passo que é o auge da glória de Cristo (Jo 13, 31), a derrota do mal, a vitória sobre o pecado e a morte (1Cor 15, 55-57) é, ao mesmo tempo, a solidão de Deus.
Jesus ali, abonado (Mt 27, 46), tinha somente a cruz para se apoiar, somente a cruz O suportava - no sentido literal da palavra - mantendo-O de pé.
O que fazer, então, com a solidão e o sofrimento? Jesus amou (Lc 23, 43), perdoou (Lc 23, 34) e entregou-se ainda mais ao Pai (23, 46).
Na solidão, diria o poeta cantor - demora, devora e é prima-irmã do tempo - no auge do sofrimento, da tristeza e do abandono, devo amar, perdoar e entregar-me cada vez mais a Deus e a sua santa e perfeita vontade. Isto posto, o demasiado e uníssono jargão é certo quando afirma: Deus sabe o que faz.
Adendo: Não ser prioridade para quase ninguém, é combustível que fortalece o vínculo consigo mesmo e mais ainda com Deus. Esperar o melhor de si e, acima de tudo, esperar tudo em Deus, não é meramente aguardar. Ao contrário, é virtude - e virtude teologal, essencialmente sobrenatural: É Esperança.
Inscreva-se em nossa lista de e´mails para receber notificações de notícias, eventos e outras informações da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores.