Categoria: Basílica
17/07/2026 Por: Nayane Moreira | Jornalista
Em Juazeiro do Norte, Ceará, o dia 17 de julho amanheceu com as ruas do centro movimentadas, ônibus chegando de diferentes estados e milhares de romeiros convergindo para a Basílica de Nossa Senhora das Dores e a Capela do Socorro, cenário já conhecido na cidade. Assim teve início a Romaria de 92 anos de falecimento do Servo de Deus Padre Cícero Romão, que segue até o próximo domingo (20), reunindo peregrinos de diversas regiões do Nordeste em uma manifestação de fé, gratidão e memória.
Desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira, grupos inteiros chegavam à cidade pelos mais variados meios de transporte. Alguns desembarcaram de ônibus após longas viagens; outros escolheram enfrentar centenas de quilômetros a pé ou a cavalo, transformando o caminho até Juazeiro em uma verdadeira experiência de peregrinação.
Por volta das 5h30, um grupo formado por 39 romeiros das cidades de Feira Grande, Olivença, Santana do Ipanema, Canapi e Ouro Branco, em Alagoas, além de Itaíba, Betânia e Serra Talhada, em Pernambuco, concluiu uma caminhada de 14 dias até a Capela do Socorro. Entre eles estava Enoque Rodrigues, de 84 anos, o mais experiente do grupo. Depois de mais de 80 viagens a Juazeiro do Norte de carro, decidiu, há quatro anos, viver a experiência da romaria a pé. "Já vim mais de 80 vezes de carro, mas esta é a quarta caminhada. O único arrependimento que tenho é de não ter começado antes."
No mesmo grupo estava a romeira mais jovem da peregrinação: Jucélia Lima, de apenas 10 anos. Apesar do cansaço, na chegada fez questão de entrar de joelhos na Capela do Socorro para rezar diante do túmulo do Padre Cícero. "Eu vim com minha mãe, que está grávida, e com meu pai. Achei maravilhosa a viagem. Sofri, criei uns calos, mas foi muito bom." A mãe, Célia Lima, percorreu o caminho pela quarta vez. Grávida de sete meses, contou que a decisão de enfrentar novamente a peregrinação foi tomada após muita oração. "Pensei muito antes de vir. A gestante fica mais frágil, mas minha maior motivação foi a fé em Deus e também o grande desejo da minha filha de fazer essa caminhada. A fé, por menor que seja, sempre nos surpreende no final", comentou.
Também na manhã desta sexta-feira, por volta das 9h, outro grupo chamou a atenção ao chegar à Praça do Romeiro. Os Tropeiros da Fé, formados por 14 cavaleiros de cidades de Pernambuco e Alagoas, percorreram aproximadamente 600 quilômetros em 15 dias de viagem. Na chegada à Basílica de Nossa Senhora das Dores, os romeiros foram acolhidos pelo reitor, padre Cícero José, que conduziu um momento de oração e aspergiu os peregrinos e os animais com água benta. Representando o grupo, o romeiro Henrique resumiu o sentimento da chegada: "O caminho foi feito entre sucessos e obstáculos, sempre com prudência e muito cuidado com os animais. Chegar aqui é motivo de muita alegria."
As histórias de quem percorreu longas distâncias revelam que, para milhares de romeiros, a peregrinação começa muito antes da chegada a Juazeiro. Cada passo, sacrifício e promessa renovam uma tradição quase centenária que faz da cidade um dos maiores centros de devoção popular do país.
Celebração de abertura reforça comunhão entre os santuários cearenses
A abertura oficial da Romaria de 92 anos de Falecimento do Servo de Deus Padre Cícero aconteceu na noite desta sexta-feira (17), com a celebração da Santa Missa na Basílica de Nossa Senhora das Dores. A Eucaristia foi presidida pelo Frei Yêdo Ian. O.Carm, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Expectação (Santuário Senhor do Bonfim, em Icó (CE)), destacando a comunhão entre os locais de peregrinação do Ceará e a unidade da Igreja junto ao povo romeiro.
Natural de Patos (PB), o frei presidiu pela primeira vez uma celebração na Basílica. Emocionado, afirmou que viveu o momento não apenas como sacerdote, mas também como romeiro. "É com muita emoção e alegria que estou aqui nesta Basílica para presidir esta celebração. Venho também como romeiro, para estar junto desse povo que chega de tantos lugares preparando o dia 20, data que recorda a partida do Padre Cícero, mas, sobretudo, o legado espiritual, humano e pastoral que ele deixou para a Igreja e para o povo nordestino."
A presença do religioso também recordou um importante elo histórico entre Juazeiro do Norte e o município de Icó. Segundo ele, Padre Cícero mantinha forte devoção ao Senhor do Bonfim e peregrinava ao Santuário Icoense para cumprir uma promessa feita após alcançar a cura de uma enfermidade. "No Icó, essa história permanece muito viva. Padre Cícero peregrinava até o Senhor do Bonfim para pagar uma promessa. Nosso povo guarda essa memória com muito carinho e isso fortalece ainda mais a ligação entre os dois santuários”, relatou.
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